Regiões

A nível de desenvolvimento regional, Portugal pode ser caracterizado em quatro territórios diferenciados do ponto de vista das actividades que neles se desenvolvem:

  • Uma grande região litoral Norte e Centro, onde se concentram as actividades industriais exportadoras baseadas na intensidade do trabalho, nos recursos naturais, na tecnologia e na escala;
  • Uma região litoral Centro e Sul, onde se concentram as actividades de serviços baseadas no conhecimento e na informação orientada para o mercado doméstico e as actividades industriais exportadoras baseadas na escala e também nos recursos naturais;

  • Uma região litoral Sul centrada nas actividades de serviços baseadas sobretudo nos serviços e no turismo;
  • Uma vasta região do “interior”, fracamente inserida na internacionalização, com actividades centradas nos recursos naturais, incluindo o turismo rural, e alguns pólos isolados de indústrias baseadas na escala (automóvel) ou na intensidade do trabalho (calçado, vestuário).


Ao nível da Inovação, e de acordo com o Inquérito Comunitário à Inovação – CIS 2006, as Empresas com Actividades de Inovação, por Região em Portugal foram: total nacional 41%, Lisboa 44%, Norte 36%, Centro 47%.

Para uma média nacional de 12%, as Empresas que introduziram produtos novos no mercado (bens e/ou serviços) foram no Norte 10%, no Centro 12% e em Lisboa 15%.

A distribuição da despesa em Inovação, por Região, foi em Portugal de 46% em Lisboa, 32% no Norte e 12% no Centro.


O Norte é a região do país onde a economia menos cresce e onde o desemprego mais aumenta. Em pouco tempo passou de uma das regiões mais industrializadas da Europa, para uma das mais pobres.

Das 273 regiões europeias, para as quais o Eurostat fornece valores relativamente ao PIB por habitante em paridade de poder de compra, há apenas 17 regiões mais pobres que o Norte de Portugal. A região regista uma perda acelerada de poder de compra, ao ponto de apresentar o rendimento «per capita» mais baixo da UE a 15. Em 2004, surgia como a 5.ª Região mais pobre. Os dados do Eurostat referentes a 2005 conferem-lhe a terrível proeza de liderar o «ranking» da pobreza. O PIB «per capita» é 58,8% da Europa a 27. Piores, só regiões da Polónia, Bulgária ou Roménia. No final dos anos 80, o Norte representava 64% do rendimento «per capita» de Lisboa. Dez anos depois recuperou para 69% e regrediu numa década até aos actuais 58%.

Segundo o mesmo indicador, a vizinha Galiza regista um rendimento per capita 41% acima do Norte de Portugal. Mesmo a Estremadura, a região mais pobre de Espanha, apresenta um valor 16% superior ao do Norte de Portugal.

Quanto ao mercado de trabalho, o Norte é também a região do país com a taxa de desemprego mais elevada (já próximo dos 10% em 2008).

Por outro lado, o Norte e o Centro são também as regiões do continente nas quais a população recebe um salário mais baixo.

A região dispõe de um conjunto muito significativo e com prestígio internacional, de Universidades, Institutos Politécnicos e Centros de Inovação e Tecnologia (como sejam as Universidades do Porto e do Minho e os Institutos Politécnicos do Porto e de Viana), para além de um conjunto de outras escolas estatais e particulares, de ensino superior de grande representatividade em número de alunos e cursos leccionados.

Da malha empresarial fazem parte empresas de grande prestígio internacional que ultimamente se tem reforçado com a implantação na região de um conjunto de iniciativas multinacionais claramente vocacionadas para a indústria das novas tecnologias e do conhecimento.


A Região Centro, por sua vez, conta com uma população da ordem dos 1,7 milhões de habitantes, o que corresponde a cerca de 17% da população continental, tem um perfil semelhante ao Norte do país, nas zonas do litoral, onde é mais significativo o desenvolvimento de instituições e empresas com forte suporte no conhecimento.

A nível da estrutura empresarial predominam as microempresas, muito embora as PME manifestem um acentuado dinamismo, apresentando-se competitivas nos mercados interno e externo.


A formação superior na Região Centro é assegurada por três universidades estatais, nomeadamente, a Universidade de Aveiro, a Universidade de Coimbra e a Universidade da Beira Interior, na Covilhã, e pelas privadas Universidade Católica, em Viseu e Universidade Internacional, na Figueira da Foz. Na região existem também seis Institutos Politécnicos estatais localizados em Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu e vários institutos privados. São ainda múltiplos os centros de investigação no centro do país.

Identificam-se ainda na Região Centro um conjunto de centros tecnológicos, como o CENTIMFE ou o CTCV. Existem também outros centros importantes tais como a PT Inovação (telecomunicações), o CBE (Centro de Biomassa para a Energia), o IBILI (Instituto Biomédico de Investigação da Luz e Imagem).


A situação diagnosticada por estas duas regiões apresenta-se como um paradoxo, com uma situação de pobreza galopante medida pelo PIB, mas rica em recursos qualificados, tecnológicos, em conhecimento e em experiência empresarial.

Estas duas regiões (considerando apenas a zona mais litoral da zona centro) continuam a ser responsáveis por mais de metade das exportações nacionais e por cerca de 2/3 das exportações de produtos tecnológicos e são ainda das regiões mais industrializadas da Europa. Ou seja, têm uma enorme capacidade empresarial instalada. Têm Universidades, Institutos e Centros de Inovação e Tecnologia de excelência, não só quanto à formação de quadros qualificados, mas quanto à produção científica e quanto ao I&D desenvolvido.

Numa comparação europeia o peso da indústria no Norte/Centro litoral (27,24%) é superior ao da Catalunha (SP) (22%), Emília-Romagna (IT) (27,21%), Hamburgo (14,3%) e abaixo da região de Baden-Wutttemburg também na Alemanha (31,56%). O problema é que a preponderância é de indústrias de grau médio de incorporação tecnológica, o que não sucede com o Norte/ Centro litoral, onde mais de 2/3 da produção tem baixa intensidade tecnológica.

As regiões além do sistema científico forte, têm um forte emprego em serviços intensivos em conhecimento (16,4 % do emprego total), uma enorme capacidade instalada na oferta de licenciados, mestres e doutores em áreas científicas como saúde, ciências biológicas, ciências agrárias, física e matemática, química, ciências ambientais, economia gestão e marketing, TIC, electrónica e sistemas, mecânica produção e energia e materiais.

Nestas áreas dispõem de Universidades e Institutos e unidades de I&D, centros tecnológicos, institutos de novas tecnologias, parques de ciência e tecnologia e incubadoras de base tecnológica, num número apreciável.


O potencial existe nestas duas regiões, a capacidade empresarial, de conhecimento ou científica está instalada, em custos muito competitivos. O que falta é uma articulação e actuação global dos seus players, a divulgação das suas capacidades e potencialidades para atrair investimento e uma maior cooperação e interacção de todos os agentes interessados no seu desenvolvimento.


Se as regiões Norte e Centro, onde vive cerca de metade dos residentes em Portugal, não recuperar da actual situação será o país como um todo que estará condenado a ser lanterna vermelha da União Europeia.

Não há outro caminho que não seja o de acelerar o passo desta ‘nova economia’, constituída por empresas suportadas no conhecimento e na inovação, mais robustas e dotadas de uma competitividade assente em factores como a intensificação tecnológica e valor para o cliente.