KnowNow

De acordo com a “Nova Teoria do Crescimento”, desenvolvida por Paul Romer, “O Conhecimento tornou-se o terceiro factor de produção, ao lado do trabalho e do capital, sendo o “ingrediente” que subjaz à competitividade das nações, regiões e empresas”.

Neste novo modelo assumem especial relevo as denominadas Regiões do Conhecimento.

O conceito de região do conhecimento está associado ao processo de globalização e à capacidade de inovação, intrinsecamente ligada à criação, difusão e exploração do conhecimento, traduzida em novos produtos, novas tecnologias, novos processos produtivos e de comercialização.

As regiões que apostam no conhecimento dispõem de características comuns e potencialidades similares, diferenciando-se nas formas de organização e nas especificidades das actividades que desenvolvem.

Dentro dessas características comuns podem encontrar-se:

  • Centros de conhecimento dinâmicos, articulados com o meio exterior;
  • Redes articuladas de centros de ensino, formação e investigação, com forte ligação a centros europeus por via de parcerias e com avaliações de desempenho independentes;
  • Canais formais e informais de disseminação do saber;
  • Vasta oferta de recursos humanos altamente qualificados, com capacidades e competências profissionais vocacionadas para a inovação, empreendedorismo e produção;
  • Redes de infra-estruturas modernas, vocacionada para o exterior (redes de fibra óptica, acesso fácil a aeroportos e portos com dimensão e vocação internacional);
  • Ampla oferta de instrumentos financeiros, modernos e inovadores (capital de risco, business angels);
  • Boa qualidade ambiental e excelentes condições de vida (alojamento, infra-estruturas de saúde, desportivas, educacionais, culturais, etc.);
  • Competitividade a nível de comércio internacional e de captação de fluxos de investimento directo estrangeiro.

 

As regiões Centro e Norte de Portugal apesar disporem, em alguma medida, das aludidas características:

  • não são identificadas enquanto tal por parte de outras regiões da União Europeia e países terceiros (estudos recentes indicam que a Europa Qualificada e Inovadora constitui uma realidade geograficamente traduzida por duas manchas europeias, uma centrada nas regiões do sul da Alemanha e da Suíça e outra centrada nas regiões ribeirinhas do Mar do Norte e do Mar Báltico);
  • partilham insuficientemente entre si os factores/ potencialidades detidas ao nível da inovação e do conhecimento, registando-se insuficiente proximidade entre os respectivos actores/agentes, impedindo efeitos de escala e sustentabilidade de parcerias e redes.

Estas circunstâncias inibem, por um lado, a afirmação das mesmas regiões enquanto territórios de conhecimento, e, por outro, como consequência, um agravamento da sua posição periférica, à margem das redes europeias e internacionais de inovação e de investimento sustentado no conhecimento, contrariamente ao que sucede com as regiões atlânticas inglesas e irlandesas.

De igual forma, muitas das PME do Norte e Centro, pela mesma periferia e envolvente empresarial e de centros de saber fragmentada, sobretudo no tocante a clusters emergentes, mais conectados com uma sociedade da informação e do conhecimento, mantêm-se à margem das principais redes internacionais de inovação e transferência de tecnologia, apresentado pontos fracos ao nível da cooperação empresarial e de atractividade de parcerias e investimento.

 

Grandes Eixos de Intervenção

Considerando que, para fazer face aos desafios da globalização e da inovação, as regiões devem concentrar-se:

  • Na identificação das actividades e dos produtos mais adequados e dinâmicos, bem como na compreensão do modo como se organizam as respectivas cadeias de valor e redes de cooperação internacional;
  • Na promoção da interacção das redes de centros de saber e agentes na envolvente empresarial, bem como na compreensão do papel dos centros de inovação e empresas nas respectivas cadeias de valor globais e no modo como estas estão a evoluir;
  • Na identificação do que as regiões “concorrentes” oferecem, do que estão a atrair e do que querem atrair no futuro, fazendo exercícios de benchmarking proactivos, que permitam, entre outros, identificar uma posição relativa num contexto competitivo alargado;
  • No desenvolvimento de um marketing territorial capaz e diferenciador ancorado num posicionamento específico e projectando um conceito aglutinador e inspirador;
  • Na necessidade de centrar as suas estruturas produtivas em sectores de serviços e indústrias geradoras de maior valor acrescentado, baseados no conhecimento e aptos a competir no mercado internacional.

Propõe-se a iniciativa “Know Now”, que visa a promoção internacional do Norte e Centro como regiões de inovação e conhecimento, através da actuação em 3 grandes eixos:

  • Estudos de terreno – recolha, análise e sistematização de informação relevante que seja base para a estratégia a seguir, em três fases a ter em conta:
    • levantamento do “estado da arte” actual e construção de uma visão prospectiva, que permita dinamizar uma Rede de Inovação e Conhecimento;
    • apuramento de casos de sucesso em que o conhecimento é factor determinante, designadamente ao nível de atracção de IDE; e
    • desenvolvimento de acções de benchmarking estratégico de modo a melhor definir a posição relativa dos territórios, estudar casos de boas práticas e construir parcerias internacionais.
  • Promoção – definir estratégias e alinhar instrumentos de modo a “colocar” internacionalmente as regiões, implicando:
    • precisar um conceito diferenciador para os territórios e definir um posicionamento competitivo;
    • elaborar um plano de marketing internacional que seja federador de uma estratégica comum, concertada e ambiciosa de promoção e divulgação das regiões;
    • construir um portal interactivo que possa ser uma referência quer na promoção das regiões, quer na captação do investimento;
  • Captação de Investimento – com base nos estudos elaborados, e em sintonia com a estratégia de promoção escolhida, desenvolver consistentemente a captação de investimento.

 

 

Objectivos Estratégicos

Posicionar competitivamente as regiões Norte e Centro como Regiões de Inovação e Conhecimento, invertendo uma imagem “mais tradicional”, fortemente associada a negócios mão-de-obra intensivos e baixas qualificações.

 

Objectivos Operacionais

Desenvolver um projecto global de promoção das capacidades das regiões Norte e Centro, seus sectores e agentes, através:

  1. Estudo da base instalada, que caracterize o “estado da arte” dos recursos de conhecimento e inovação disponíveis para alicerçar uma Rede de Inovação e Conhecimento;
  2. Levantamento de casos de sucesso que sirvam de atractivos para a promoção das Regiões: sejam caso de empresas internacionais que demandaram os territórios pela sua dotação específica em factores de inovação e conhecimento; sejam empresas e/ou instituições que se distinguiram internacionalmente pelas suas estratégias apoiadas exactamente nesses preciosos recursos disponíveis;
  3. Construção de rede de partilha e cooperação que interligue os diferentes actores e iniciativas instalados nos territórios;
  4. Análise de casos de sucesso internacional, através de acções de benchmarking estratégico, que permitam aferir os factores competitivos de regiões concorrentes, bem como identificar factores dinamizadores dessas estratégias ganhadoras;
  5. Desenvolvimento de actividades de promoção, divulgação e imagem internacionais das regiões e suas actividades relevantes para a economia nacional;
  6. Construir um sistema regional de captação, acolhimento e manutenção de investimento, que, articulado com os agentes locais/ regionais, seja capaz de dar corpo a toda a estratégia de promoção e divulgação dos territórios.