Indústrias Criativas « KNOW NOW // Conhecimento e Inovação
24/Jan/2015 - 25/Jan/2015

  Em conjunto com a ESA e mais 5 entidades [...]

Know Now

Indústrias Criativas

A criatividade está a tornar-se num input cada vez mais importante no processo produtivo de todos os bens e serviços. Este conceito deu origem a um grupo de actividades nas quais esta é usada com uma especificidade de elevado grau: as Indústrias Criativas!

De entre as variadas definições existentes, pode-se definir estas indústrias como as

“actividades que têm a sua origem na criatividade, competências e talento individual, com potencial para criação de trabalho e riqueza através da geração e exploração da propriedade industrial”

Chris Smith, UK´s Department of Culture, Media and Sport

Sendo variável, o conceito tem o denominador comum no facto de incluir aquelas indústrias em que a criatividade é incorporada no modelo de negócio. Englobam três áreas fundamentais: Arte, Ciência e Negócio.

Além do natural impacto que tem na actividade económica, as Indústrias Criativas provocam ainda efeitos positivo a diversos níveis: junto dos agentes criativos, junto de outros sectores da economia (como transportes e logística, comércio e serviços), na economia do país e na qualidade de vida. De facto, o desenvolvimento da criatividade permite gerar benefícios:

  • ao nível do indivíduo, devido ao bem-estar gerado e à satisfação no trabalho;
  • ao nível da organização ou da sociedade, pelo aparecimento de ideias inovadoras que positivamente afectam a produção.

As Indústrias Criativas, ao funcionarem como catalisadores de outros sectores de actividade, assumem-se:

  • Transectoriais – uma vez que se moldam através da ligação entre as indústria de media e informação e os sectores cultural e das artes;
  • Transprofissionais – porque são moldadas pela união de vários domínios de esforço criativo (ex: artes visuais, vídeos, música, etc.);
  • Transgovernamentais – porque este campo de actuação junta uma complexa rede de participantes interessados (stakeholders) tais como a Cultura, o Comércio, a Indústria e a Educação, entre outras áreas.

Em Portugal tem-se procurado de forma consistente desenvolver esta área. De acordo com um estudo divulgado pelo Ministério da Cultura em Novembro de 2009, o sector criativo e cultural em Portugal criou, entre 2000-2006, aproximadamente 6.500 empregos.

As Regiões do Norte e do Centro do país são locais onde as Indústrias Criativas estão mais presentes, contando com iniciativas que agregam um conjunto de parceiros diversos.


Caracterização

A criação de um Cluster Criativo naRegião Norte resultou da necessidade sentida de transformar esta na região criativa do país através da clusterização de negócios criativos por via de ligações entre as diversas instituições. Aproveitando as características estruturais da região (positivas e negativas), a constituição deste cluster surge na sequência de um estudo promovido pela Fundação de Serralves em parceria com a Junta de Metropolitana do Porto, a Casa da Música e a Sociedade de Reabilitação Urbana da Baixa Portuense.

São três os eixos estratégicos que funcionam como linhas orientadoras:

  • Capacidade criativa;
  • Planeamento e definição de políticas;
  • Tornar atractivos os lugares criativos.

Deste modo, a ADDICT – Agência para o Desenvolvimento das Indústrias Criativas surge com o propósito de promover o empreendedorismo, apostar na reabilitação urbana e reforçar o contributo da região para a economia nacional.

Esta Agência foi constituída por parceiros públicos e privados, tendo como objectivo o apoio aos novos projectos criativos. Integra um conjunto diverso de áreas:

Ao promover a afirmação da criatividade como veículo de geração de valor económico e emprego qualificado, a aposta nas Indústrias Criativas na Região Norte pode ser um contributo para um novo paradigma de desenvolvimento e para a criação de um novo dinamismo económico.

De acordo com o estudo que deu origem à criação deste cluster, o Norte de Portugal apresenta condições para se assumir como a principal região criativa de Portugal. Para que isso aconteça deverá aproveitar os seus talentos criativos e a sua massa crítica, tendo consciência das suas limitações. A infra-estrutura criativa da Região é diversificada, qualificada, bem equipada, com um nível crescente de eventos culturais e com muito talento criativo à espera de ser aproveitado.


Partindo deste projecto estruturado na Região Norte, têm sido desenvolvidas algumas iniciativas e existem diversos projectos a serempostos em prática, visando promover este espírito criativo, dos quais destacamos:



Visando premiar todas as ideias criativas que vão surgindo, numa iniciativa da Unicer com a Fundação de Serralves foi criado o Prémio Nacional de Indústrias Criativas cujo regulamento pode ser consultado em www.premioindustriascriativas.com. Na edição deste ano, de entre mais de 100 candidaturas apresentadas por pequenas e médias empresas, foram seleccionadas 10 propostas maioritariamente da área de Multimédia. Incluem ainda propostas de Arquitectura, Audiovisual, Comunicação e Marketing Cultural, Turismo, Design e Editorial. Ao vencedor será dada a possibilidade de integrar a Incubadora de Indústrias Criativas da Fundação de Serralves, para além do prémio pecuniário associado.


A Região Centro tem tomado passos sustentados para, de forma progressiva, atingir o desígnio de se tornar uma das regiões da Europa mais inovadoras e criativas. Ocupando actualmente a posição 153º lugar entre 300 regiões, o Centro aposta nos projectos incluídos no programa INOV C, entre eles a concretização do Parque Tecnológico de Óbidos. De acordo com chefe da divisão de inovação e transferências do saber da Universidade de Coimbra, Óbidos está a “fazer uma boa aposta” ao ligar-se às indústrias criativas.

A OBITEC – Associação Óbidos Ciência e Tecnologia, criada em Março de 2010,foi a primeira entidade a juntar, em Portugal, uma autarquia a várias universidades, politécnicos, instituições de formação e empresas tecnológicas na gestão de um parque de ciência e tecnologia. Um dos grandes objectivos desta Associação passa pela concretização do Parque Tecnológico de Óbidos enquanto entidade capaz de agregar um conjunto de parceiros de áreas e competências distintas, capazes de transmitir dinamismo, inovação e criatividade à Região.

Outra das iniciativas que importa registar enquanto suporte ao incremento da criatividade, prende-se com a criação do projecto denominado “ABC – Apoio de Base à Criatividade” a funcionar em Óbidos e que serve de apoio ao Parque Tecnológico de Óbidos. O ABC – apoio de base à criatividade – constitui uma estrutura de apoio ao empreendedorismo, orientado para as empresas das áreas criativas. O projecto pretende oferecer condições de excelência no apoio às empresas, de forma a reforçar a sua capacidade de inovação, crescimento e competitividade. As empresas têm à sua disposição um espaço de escritório, com acesso a telefone e internet, um conjunto de serviços de apoio, como recepcionista, serviço de correio, auditório e limpeza. Este espaço tem sido muito procurado, sendo por isso um claro indiciador da aposta da região e das suas empresas nesta nova área empresarial – a criatividade. Áreas como a cultura, a comunicação, a informática, a arquitectura, o design e a gastronomia integram uma componente criativa preponderante, geradora de valor.

Também Coimbra com a criação do Parque de Inovação (IParque) tem demonstrado um crescente enfoque nesta área da criatividade com algumas iniciativas importantes.

Igualmente no âmbito das Indústrias Criativas, assinala-se na Região Centro a existência de uma componente voltada para a comunicação/ informação. A sua importância no panorama nacional assenta na disponibilidade de recursos humanos qualificados a par da capacidade criativa em termos culturais e artísticos.

São quatro as componentes que fazem parte integrante deste cluster e em torno das quais se desenvolvem um conjunto diversificado de actividades:



O potencial deste cluster reside na capacidade de influenciar outras actividades, nomeadamente as que estão relacionadas com o sector do turismo, desenvolvendo áreas como:

  • Animação turística;
  • Museus;
  • Restauração;
  • Operadores Turísticos;
  • Desportos Radicais;
  • Hotelaria,
  • Congresso/Eventos;
  • Agências de Viagens,
  • Entre outros.

De facto, com a promoção das indústrias criativas na Região espera-se que essa pujança venha a ser reflectida no desenvolvimento de outras áreas de actividade económica das quais o turismo e o sector dos transportes são bons exemplos.


Quem o constitui?

Na Região Norte,a comissão instaladora da agência (ADDICT – Agência para o Desenvolvimento das Indústrias Criativas) resulta de uma parceria entre a Fundação de Serralves, a Área Metropolitana do Porto, a Casa da Música, a Porto Vivo, SRU – Sociedade de Reabilitação Urbana e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte.

De entre as restantes entidades que fazem igualmente parte da Agência importa destacar diversas empresas como:

  • Porto Editora;
  • Searasoft – Desenvolvimento de Software, Lda;
  • Beta – Sociedade de Capital de Risco, SA;
  • OPAL – Publicidade, SA;
  • UNICER Bebidas, SA;
  • YDreams;
  • RTP;
  • Entre outras.

Na Região Centro, fazem parte empresas ligadas às quatro áreas que integram o cluster: artes e espectáculos e moda; publicidade; distribuição e produção audiovisual; artes gráficas. Aparte destas, importa igualmente salientar a presença de algumas empresas em iniciativas que visam a promoção da criatividade como:

  • Ambisig;
  • Janela Digital;
  • CreativeLand,
  • Entre outras.


Onde está?

As Indústrias Criativas na Região Norte centram-se maioritariamente na Área Metropolitana do Grande Porto, que se procura que funcione como alavanca para a restante Região Norte, nomeadamente para locais onde haja presença de centros universitários: Braga, Guimarães, Vila Real e Aveiro.


No Centro, importa registar algumas iniciativas ocorridas entre as quais se destacam as cidades de Óbidos e Coimbra.

Quais os centros de saber que o suportam?

Os centros de saber que apoiam o desenvolvimento das indústrias criativas a nível nacional são:

  • Universidade Católica Portuguesa;
  • Universidade de Aveiro;
  • Universidade do Porto;
  • Instituto Politécnico de Leiria.


Perspectivas de Desenvolvimento

De entre os resultados que são de esperar com o desenvolvimento das Indústrias Criativas, importa realçar:

  • Ligação de subsectores de actividade que usualmente não dialogam:
  • Empresas, instituições culturais, espaços de arte, artistas individuais, universidades, parques de ciência, centros de investigação, autarquias e media;
  • Reforço dos processos de regeneração urbana em cidades e lugares de elevado valor patrimonial;
  • Fomentar o trabalho em rede;
  • Intensificar a relação entre os centros de produção de conhecimento e a actividade empresarial;
  • Atrairmassa crítica jovem e talentosa que permita a criação de negócios criativos;
  • Alavancar e internacionalizar os principais agentes e negócios criativos da região e do país;
  • Gerar novas dinâmicas no mercado da economia digital, pelo reforço da produção de novos conteúdos criativos produzidos na região e no país.

A gestão e dinamização do Cluster das Indústrias Criativas da Região do Norte encontra-se a cargo da ADDICT:

Indústrias Criativas Norte

Entidade Gestora

ADDICT – Agência para o Desenvolvimento das Indústrias Criativas

Endereço

Rua Mouzinho da Silveira 212
4050-417 Porto
Tel: 222 017 095

Web

www.addict.pt

Na Região Centro ainda não existe, pelo menos constituído formalmente, uma instituição que esteja encarregue pela promoção e gestão do conjunto de Indústrias Criativas aí situadas.